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Nem de aqui, nem de lá. Emigrante simplesmente.

Vivo no Brasil desde 2006 e andando pelas ruas sou simplesmente uma brasileira mais. Contudo, sempre que começo uma conversa com alguma pessoa, logo vem a pregunta: De onde você é?

Certamente, excepto raros casos, qualquer um que emigrou em idade adulta levará o sotaque de sua língua materna pelo resto da sua vida. Particularmente, conheço pessoas que emigraram ainda crianças e passam despercebidos por ter perdido o sotaque.  No meu caso, por ser de procedência hispanofalante, más que sotaque instalado, falo meu “Portunhol” particular. Isto, porque as línguas são muito próximas e originarias do latim.

Ainda não foi respondida a pregunta, certo.

Atualmente eu sou naturalizada em Brasil e, neste pais que me acolheu, eu vivo com minha família e trabalho para ganhar meu pão. Assim,  eu tenho os mesmos diretos e obrigações que qualquer brasileiro comum. Mesmo assim, eu não sou de aqui pois meu sotaque me delata.

Contudo, na última metade do século passado (mulher não fala de sua idade…rsss) eu nasci na capital da maior ilha do Caribe, La Habana/Cuba. Desde que saí de Cuba, ainda não voltei lá, então perdi algumas referencias atualizadas e na minha cabeça, o tempo parou. Ainda, para entrar  no pais que eu nasci necessito de uma permissão de entrada, algo como um visto. Essa condição de turista visitante lá, define que também não sou de lá.

Então, como definira muito bem, meu conterrâneo David Torrens “Yo sé que no soy, ni de aquí  ni de allá“.

Neste contexto, alguns emigrantes ficariam com problemas psicológicos de identidade, porém os cubanos nascidos após o triunfo da revolução socialista  fomos programados para esta situação.   No meu caso, ao reduzirmos o mundo centrado na minha família, em que meu esposo é brasileiro e minha filha misturada, nós vivemos no reino Bras-Cuba.  Assim, não importa em que parte do planeta Terra habitemos, sempre que fiquemos unidos, é nosso lar.

Em conclusão, sou somente um emigrante entre muitos,  me adaptando as costumes locais e incorporando minhas tradições  cubanas em cada coisa que eu faço.  Agradeço a todos meus amigos por me acolher com carinho, mesmo sabendo que minhas raízes caribenhas estão presentes no dia a dia.

Parafrasearei  a X Alfonso, na canção “Em todas Partes” , para terminar:  “Donde quiera que me encuentre, yo siento que es tierra mia

 

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